O latifúndio atual, mecanizado e em medida suficiente para multiplicar os excedentes de mão de obra, dispõe de abundantes reservas de braços baratos. Já não depende da importação de escravos africanos nem da encomienda indígena. Ao latifúndio basta o pagamento de diárias irrisórias, a retribuição de serviços em espécies ou o trabalho gratuito em troca do usufruto de um pedacinho de terra; nutre-se da proliferação de minifúndios, resultado de sua própria expansão, e da contínua migração interna de legiões de trabalhadores que se deslocam, empurrados pela fome, ao ritmo de safras sucessivas.
A estrutura combinada da plantação funcionava, e assim funciona também o latifúndio, como um coador armado para a evasão de riquezas naturais. Ao integrar-se no mercado mundial, cada área conheceu um ciclo dinâmico; logo, pela competição de outros produtos substitutivos, pelo esgotamento da terra ou pela aparição de outras zonas com melhores condições, sobreveio a decadência. A cultura da pobreza, a economia de subsistência e a letargia são os preços que cobra, no transcurso dos anos, o impulso produtivo original.
O Nordeste era a zona mais rica do Brasil e hoje é a mais pobre. Em Barbados e Haiti, residem formigueiros humanos condenados à miséria; o açúcar converteu-se na chave-mestra do domínio de Cuba pelos Estados Unidos, ao preço da monocultura e do empobrecimento implacável do solo. Não só o açúcar. Esta é também a história do cacau, que iluminou a fortuna da oligraquia de Caracas; do algodão do Maranhão, de súbito esplendor e súbita queda; das plantações de seringueira na Amazônia, convertida em cemitérios para os operários nordestinos recrutados em troca de moedinhas; das fazendas de sisal em Iucatã, onde os índios Yaquis foram enviados ao extermínio.