terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobre sentimentos

Então a gente vê o monte de defeitinho que temos. O monte de pequenas falhas e de repente percebemos que somos uma pedra cheia de pequenas fendas. O que é muito ruim porque mesmo quando imaginamos conhecer exatamente os nossos defeitos, descobrimos que as pessoas observam muito mais do que isso e o pior, enquanto você nem sabia que isso existia, elas já tem uma opinião formada sobre isso.

É bem assim que dá pra se sentir nesse momento. Mas o problema nem é esse. O problema é só não saber o que fazer. Porque ao mesmo tempo que você tem vontade de consertar tudo, você pensa no quanto trabalho já deu. E mesmo que a sua vontade de consertar pareça maior, as pessoas vão parecer não te querer por perto ou que, sim, você tem uma segunda chance, mas só racionalmente. Porque emocionalmente ninguém tem vontade de te dar uma segunda chance. É aí que você fica sem saber o que fazer. Porque vontade você tem.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Da plantação colonial ao latifúndio

Segue, um texto de Eduardo Galeano na sua obra "As veias abertas da América Latina."
"Da plantação colonial, subordinada às necessidades estrangeiras e financiada, em muitos casos, do exterior, se origina em linha reta o latifúndio de nossos dias. Este é um dos gargalos da garrafa que estrangula o desenvolvimento econômico da América Latina e um dos fatores primordiais da marginalização e da pobreza das massas latino-americanas.
O latifúndio atual, mecanizado e em medida suficiente para multiplicar os excedentes de mão de obra, dispõe de abundantes reservas de braços baratos. Já não depende da importação de escravos africanos nem da encomienda indígena. Ao latifúndio basta o pagamento de diárias irrisórias, a retribuição de serviços em espécies ou o trabalho gratuito em troca do usufruto de um pedacinho de terra; nutre-se da proliferação de minifúndios, resultado de sua própria expansão, e da contínua migração interna de legiões de trabalhadores que se deslocam, empurrados pela fome, ao ritmo de safras sucessivas.
A estrutura combinada da plantação funcionava, e assim funciona também o latifúndio, como um coador armado para a evasão de riquezas naturais. Ao integrar-se no mercado mundial, cada área conheceu um ciclo dinâmico; logo, pela competição de outros produtos substitutivos, pelo esgotamento da terra ou pela aparição de outras zonas com melhores condições, sobreveio a decadência. A cultura da pobreza, a economia de subsistência e a letargia são os preços que cobra, no transcurso dos anos, o impulso produtivo original.
O Nordeste era a zona mais rica do Brasil e hoje é a mais pobre. Em Barbados e Haiti, residem formigueiros humanos condenados à miséria; o açúcar converteu-se na chave-mestra do domínio de Cuba pelos Estados Unidos, ao preço da monocultura e do empobrecimento implacável do solo. Não só o açúcar. Esta é também a história do cacau, que iluminou a fortuna da oligraquia de Caracas; do algodão do Maranhão, de súbito esplendor e súbita queda; das plantações de seringueira na Amazônia, convertida em cemitérios para os operários nordestinos recrutados em troca de moedinhas; das fazendas de sisal em Iucatã, onde os índios Yaquis foram enviados ao extermínio.
É também a história do café, que avança deixando desertos, e das plantações de frutas no Brasil, Colômbia, Equador e nos desditosos países centro-africanos. Com melhor ou pior sorte, cada produto tem se convertido num destino, muitas vezes fugaz, para os países, regiões e homens.
O mesmo itinerário seguiram, certamente, as zonas produtoras de riquezas minerais. Quanto mais cobiçado pelo mercado mundial, maior é a desgraça que um produto traz consigo ao povo latino-americano que, com seu sacrifício, o cria. A zona menos castigada por esta lei de ferro, o rio da Prata, que lançava couros e depois carne nas correntes do mercado internacional, não pôde, todavia, escapar à jaula do subdesenvolvimento."

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Até onde é válido?

A sociedade brasileira é ociosa. Uma característica herdada das nossas sociedades colonizadoras, inclusive. E qual é o problema disso?
O problema é que ninguém quer se dispor a trabalhar para consertar as coisas. Ao ócio, junta-se a alienação política - muito incentivada por governos que visam à acomodação popular - e temos o cenário perfeito para a manutenção de um sistema falido.
Assistir aos debates para governador do DF, me chamou atenção a um detalhe: como Brasília está desestruturada por faltas de políticas públicas eficientes. O interessante é que muitos candidatos enfatizaram a importância de tais políticas. Muitos, inclusive, vivem prometendo reformas e reestruturação no sistema público-social do distrito. Mas aí vem a questão: como cobrá-las?
Não temos mobiliação popular, nem meios eficazes. Estamos completamente destituídos instrumentos para tal - a não ser que vc acredite que invadir a Câmara e dar desculpa para os deputados não trabalharem seja um meio muito eficiente de cobrança.
O que a alienação fez conosco? E até onde seremos enganados e acomodados por opção? Por que não começar a abrir os olhos, em vez de permanecer imersos em ilusões?
É por isso que eu assisti a todos os debates sim. E não importa quem seja eleito, eu vou conseguir um meio de cobrar e perguntar "Senhor(a) governador(a), qual é o projeto para a reforma no sistema público de saúde? E como está a sua aplicação e as verbas destinadas a ele?"
Já passou a hora de querer ser enganado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cena urbana 1

Houve um diálogo interessante com um morador de rua.
-"Moça, eu não quero roubar a senhora. Não precisa ter medo de mim, só quero uma ajuda para comprar alguma coisa de comer."
-"De onde o senhor é, moço?"
-"Eu sou de Formosa, mas vim pra cá atrás de um emprego."
-"E o senhor tá morando na rua?"
-"Eu tou sim. É que lá em Formosa a gente mora de favor, mas é numa chácara e não tem lugar que dê trabalho pra gente. Mas aqui é melhor, porque lá a gente tem um teto, mas não tem o que comer."
Nós com tanto, às vezes esquecemos como o pouco é precioso.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Política

E a minha primeira eleição... péssima, por sinal - só para constar.

Pressupondo que um dos princípios da democracia seja que você se candidate, caso não haja candidato que atenda aos seus interesses; a referida blogueira se percebeu em uma situação interessante.

Ao conversar com a minha mãe sobre as eleições, eis que ouço o seguinte comentário "Mas quem vota no candidato X, é completamente egoísta. Pensa apenas no seu benefício e não tem visão sobre estruturação de políticas públicas e sociais etc e tal."

Aí é que está, meus queridos. O que para alguns pode parecer o maior problema da democracia, para outros seria sua representação mais sublime.

Essa é a beleza do regime, você se representar. O seu candidato tem que atender aos seus interesses sim, mesmo que o seu interesse seja uma boa estruturação de políticas públicas nos setores sociais do governo.

É isso mesmo e está certo. A política é uma forma de estruturar nossas vidas em esferas mais amplas e ao mesmo tempo que você deve pensar no próximo e no futuro, eles também devem pensar em você. Porque se você não lutar pelos seus interesses, quem vai lutar ?

Não que a corrupção e o nepotismo se incluam, óbvio.

A sociedade é heterogênea e a realidade é que não vai existir um candidato que agrade a gregos e troianos (ou à esquerda e direita). Por outro lado, é muito bom que existam candidatos diferentes com números significativos de representação em seus partidos. Afinal, se assim não fosse, não existiria o lobby.

E sim, sim. Ele é necessário. Porque se você não pressionar o candidato que não foi eleito por você, quem irá ?

A política não é algo alheio às nossas vidas. Não é um grupo de aristocratas que mandam no mundo e tiram a sua influência sobre coisas cotidianas. Não, não. NÃO é isso.

Você pode até ter sido levado a pensar assim, visto que o Brasil sofreu constantes processos de despolitização e alienação desde o período colonial.

Política é uma forma de inserir a sua vida pessoal no âmbito coletivo e de gerir o coletivo para que atenda ao seu interesses sem ferir outros. Não lidamos mais com um contrato social que deve apenas te proporcionar segurança contra saqueadores medievais. Lidamos com organismos internacionais que devem te proporcionar condições para desenvolver sua vida de forma plena.

Isso sim é política. E esse sim deve ser o seu candidato.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Independência

O que seria independência, afinal ?
Seria uma forma de se tornar cada vez mais auto-suficiente ou seria um meio de se equilibrar em um sistema de órgãos interligados ?
Essas são perguntas que estão cada vez mais de acordo com o cotidiano atual. Podemos não perceber, mas as gerações contemporâneas que pregam tanto a independência (seja financeira, emocional ou qualquer outra) vive numa tendência de ligação, de interdependência cada vez maior. Ao contrário do que ocorreu com a consolidação do Estado por volta dos séculos XV e XVI, não se pode considerar qualquer coisa como absoluta, auto-suficiente. Estamos, de fato, interligados. E nossas vidas são sim uma cadeia de acontecimentos e ligações com pessoas jamais vistas e com culturas não imaginadas. Somos são dependentes da bolsa de valores da China e com nossa cultura ocidental, temos a prepotência de nos julgarmos superiores.
A independência não é mais auto-suficiência, é uma forma de se desenvolver e dominar cada vez mais conhecimento possível a fim de ser útil. De ser útil para o conjunto, para o mundo, para o todo.
Não posso esquecer o papo internacionalista que discute a respeito da dissolução do Estado, tendo em vista a tendência de ligação, como a formação de blocos. Na boa, aqui não convém discutir se o Estado vai sumir ou não. O importante é que as pessoas entendam que toda essa tendência se reflete em suas vidas. Que tudo isso acontece e o seu modo de pensar muda. Que as gerações agora são outras. E, enquanto você se preocupa com o futuro do seu filho aqui; uma pessoa do outro lado do mundo tem as mesmas preocupações. Somos diferentes, temos culturas diferentes, mas estamos cada vez mais próximos, mais dependentes, mais influentes.
Temos que abrir a mente para perceber o que acontece de fato. Todo esse movimento global. E perceber que nossas vidas não são mais como eram antes. Estamos na época de ter um objetivo. É hora de abrir as mentes, se libertar dos preconceitos, entender o verdadeiro significado da palavra INDEPENDÊNCIA e usufruir do que ela traz de melhor.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cidadania.


Sim, eu sou uma daquelas pessoas que não conseguem simplesmente ignorar.

O que é ser cidadão afinal?
Vivemos reclamando que as coisas não funcionam como deveriam, vivemos falamos a respeito dos nossos direitos que não são respeitados. Mas quem, de fato, faz com que os seus direitos sejam respeitados?
São poucas as pessoas que o fazem. E há uma explicação muito simples para isso:
Quando você exige que alguém respeite um direito seu, está colocando a cara a tapa e assumindo uma responsabilidade porque, a partir daí, terá que respeitar o espaço - e consequentemente os direitos - do outro.

Quem realmente quer assumir essa responsabilidade? Geralmente é mais fácil só reclamar que tudo está errado e não fazer nada para consertar a porra toda (com perdão pela expressão, mas é exatamente assim).

Nada errado em reclamar; nada errado em reconhecer quando tudo está virado de cabeça para baixo. O problema é quando você só quer reclamar e não faz coisa alguma para mudar.

Você reclama e reclama. Enquanto isso...
O seu filho ainda pode ser assaltado na saída da escola, o seu pai ainda pode passar mal por falta de remédio no hospital, sua casa ainda pode ser pichada ou roubada...

Vai ficar aí parado, esperando que aconteça ?
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Vai continuar parado mesmo depois de já ter acontecido?


Depois dizem que política não tem nada a ver com a sua vida.